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Ex-UFC supera prisão e segue na ativa aos 43 anos: “Sou um homem melhor”

Primeiro brasileiro a disputar o cinturão dos leves do Ultimate, Hermes França quebra silêncio sobre 30 meses preso nos EUA: "A prisão aumenta seu auto-conhecimento"

Duas decisões unânimes dos juízes mudaram a vida de Hermes França. A primeira, em 07 de julho de 2007, em Sacramento, na Califórnia, quando manteve o título dos pesos-leve do UFC com Sean Sherk. Desafiante ao cinturão, o brasileiro não resistiu ao campeão e ficou no quase para a maior glória da vida de um lutador de MMA. Quatro anos depois, no condado de Clackamas, no Oregon, França sofreu um golpe ainda mais duro: foi considerado culpado por assédio a uma menor em uma academia em que lecionava jiu-jítsu. A prisão, por dois anos e meio, parecia o fim da linha.

Mas 30 meses depois, o lutador antes conhecido pelas cores chamativas com que pintava o cabelo saiu apagado da América. A volta ao cage veio logo depois, em 2014. Em entrevista exclusiva ao Combate.com, Hermes quebrou o silêncio e falou sobre o episódio que garante ter mudado sua vida – para melhor.

– Eu acredito que nada acontece por acaso. É passado. Graças a Deus eu voltei ao Brasil, reencontrei minha família, meus amigos, minha base. Eu não estava legal naquela época. Fiz um monte de besteiras. Bebidas, mulheres, festas, tudo isso foi parte de um estilo de vida que me fez falhar como marido, pai, lutador e sonhador. Fiz mal para muitas pessoas. A prisão é algo que aumenta o seu auto-conhecimento. É só você ali, irmão. Só você. Eu tirei para mim que um homem precisa estar bem mentalmente para o resto andar. Não adianta estar bem fisicamente. Eu voltei melhor espiritualmente. E isso me fez um lutador melhor, um homem melhor. Essa minha volta é um recomeço. Quem me conhece, sabe quem eu sou, sabe da minha índole.